Tendências de privacidade e tecnologia para 2026
- Marina Bendit

- há 11 minutos
- 3 min de leitura
A agenda regulatória de privacidade para 2026 já começa a se desenhar a partir das movimentações recentes da Autoridade Nacional de Proteção de Dados e das transformações tecnológicas em curso. Para empresas de todos os setores, o cenário aponta para um nível maior de exigência, não apenas em termos de conformidade formal, mas de demonstração prática de governança, transparência e responsabilidade no uso de dados pessoais.
Mais do que acompanhar tendências, será necessário estruturar processos sólidos, documentados e auditáveis, capazes de resistir a fiscalizações, questionamentos de titulares e análises regulatórias cada vez mais técnicas.
Proteção de dados de crianças e adolescentes no centro da agenda
A proteção de dados de crianças e adolescentes desponta como um dos principais focos regulatórios, especialmente com o avanço do chamado ECA Digital. Com o fortalecimento institucional da ANPD como agência reguladora, a expectativa é de regras mais claras sobre verificação etária, consentimento, supervisão parental e limites para a coleta e o uso de dados de menores.
Empresas que oferecem produtos, aplicativos, plataformas digitais ou campanhas de marketing que possam atingir esse público precisam agir desde já. Isso envolve revisar fluxos de coleta, bases legais, linguagem utilizada, design das interfaces e mecanismos de controle, garantindo que o melhor interesse da criança e do adolescente seja efetivamente observado, e não apenas declarado em políticas.
Governança de dados baseada em evidências, não em discursos
Outro movimento claro para 2026 é a consolidação da exigência de uma governança de dados real. A simples existência de políticas e documentos genéricos deixou de ser suficiente. A autoridade reguladora tem sinalizado que espera evidências concretas de conformidade, como registros de atividades de tratamento atualizados, relatórios de impacto, controles operacionais e processos que funcionem na prática.
Nesse contexto, a rastreabilidade ganha papel central. Se a organização não consegue demonstrar o que faz com os dados, por que faz, como faz e quem é responsável por cada etapa do tratamento, o risco de não conformidade com a LGPD se torna concreto e mensurável.
Inteligência artificial, transparência e explicabilidade
A inteligência artificial ocupa posição estratégica nas discussões regulatórias e deve permanecer como prioridade em 2026. A ANPD já indicou que transparência e explicabilidade serão critérios fundamentais na avaliação de sistemas automatizados. As organizações precisarão demonstrar, de forma documentada, como seus modelos funcionam, quais dados são utilizados, quais critérios orientam decisões automatizadas e quais controles existem para prevenir vieses, discriminação, usos indevidos ou vazamentos. Sem documentação, não há explicabilidade. E sem explicabilidade, o risco regulatório, reputacional e jurídico aumenta significativamente.
Dados sensíveis e tratamentos de alto risco sob maior escrutínio
Tratamentos envolvendo dados sensíveis e atividades classificadas como de alto risco também estarão cada vez mais no radar. Biometria, dados de saúde, monitoramento comportamental e controles de acesso baseados em identificação biométrica exigirão critérios mais rigorosos, avaliações de impacto e justificativas claras de necessidade e proporcionalidade.
Esse alerta é especialmente relevante para condomínios, escolas, clínicas médicas, empresas de segurança, aplicativos de controle de acesso e organizações que utilizam biometria por conveniência. A pergunta que deve orientar qualquer decisão tecnológica permanece simples, mas essencial: existe uma alternativa menos invasiva capaz de atender à mesma finalidade?
Como as empresas podem se preparar para 2026
Para quem deseja se preparar de forma consistente para 2026, o caminho é claro e passa por três pilares fundamentais: fortalecimento da governança, produção de evidências de conformidade e estruturação de processos transparentes e auditáveis.
Isso inclui mapear corretamente os tratamentos, revisar riscos, documentar decisões, capacitar equipes e integrar privacidade às decisões estratégicas de negócio.
Na prodpo, esses elementos já estão integrados em uma única plataforma, justamente para apoiar empresas na construção de uma jornada de conformidade mais organizada, sustentável e alinhada às exigências regulatórias que se intensificam.


